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Discurso de Maria Carpi ao receber o Troféu Escritor do Ano

13 de dezembro de 2019

Sou essencialmente Sul.
E o Sul, a Casa do Pampa, é a cordialidade.
Estou recebendo, sem exagero, a luz do Cruzeiro do Sul.
Desde menina, chama minha atenção de Poeta, nos terrenos baldios e na lavoura, o resto do que sobra das colheitas ou da queda dos frutos. As garças com seu bico e mulheres, dobrando os joelhos, sabem do que estou falando.
E ao ouvir as Escrituras, maravilhou-me que o Resto de Israel desse origem ao Povo do Livro. E lembro que também os Farrapos são um resto que se levantou da Epopeia Sulina.
Sem falar, depois, com grande compaixão, do resto dos holocaustos e guerras.
E depois, com santa indignação, como Defensora Pública, dos excluídos da sociedade civil desde a infância.

Sim, Poesia e Justiça andam de mãos dadas. Não há como separá-las.
Nomeei Castro Alves, Defensor Público, pela corajosa escrita do Navio Negreiro.
E como cidadãos, escritores e poetas, leitores, senhores acadêmicos, temos o dever de exercer a ética comunitária.
A nossa tendência é sermos agregados a um individualismo soberbo centrado no ego. A nossa moral é excludente, corporativista. Criamos murros, fossos, privilégios, entre a nossa felicidade pessoal e o desemparo alheio. 
Mas há de sobrar, em nosso coração, um grão, um resto - ao menos uma faísca - para percebermos que somos também o povo do livro e escrevermos juntos, irmanados, com nossa participação comunitária, o mais belo poema social de uma Nação para todos.

Maria Carpi

(Discurso proferido no Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo em 05/12/2019, por ocasião do recebimento do Troféu Escritor do Ano do Prêmio Academia Rio-Grandense de Letras)

Academia Rio-grandense de Letras

PATRONOS

CADEIRA 12

Francisco Lobo da Costa

Francisco Lobo da Costa nasceu em Pelotas, Rio Grande do Sul, em 18 de julho de 1853, sendo filho de Antônio Cardoso da Costa e Jacinta Júlia Lobo Rodrigues. Fez o curso de alfabetização na Biblioteca Pelotense. Foi, em Pelotas, auxiliar de escritório em 1867 e praticou telegrafia em 1870.

Destacou-se como redator de O Comércio em 1870 e fundador c diretor da revista Castália, no mesmo ano. Foi ainda redator do Eco do Sul, de 1872 a 1873, de O Investigador em 1873, do Jornal do Comércio de Pelotas em 1876, do 11 de junho, em...

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