CADEIRA 31

ACADÊMICOSQUADRO ACADÊMICO

Paulino Azurenha

(por Itálico Marcon)

Desde cedo me preocupei em adquirir um conhecimento pormenorizado da nossa literatura. Demoradas pesquisas foram desenvolvidas, já desde 1954, nesse sentido. Em uma delas, realizada na coleção do Correio do Povo, existente na Biblioteca Pública de Porto Alegre, localizei diversas produções de Paulino de Azurenha, copiando meia dúzia delas para o meu arquivo.

Nascido em 28 de maio de 1860, na cidade de Porto Alegre, José Paulino de Azurenha faleceu, nesta Capital, aos 3 dias do mês de julho de 1909, vitimado por uma apoplexia fulminante.

Humilde de condição, depois das primeiras letras, foi tipó-grafo, a fim de garantir o seu sustento.

Nesse honesto mister, movido pela sua inteligência peregrina ,e pela sua sensibilidade afinada, ocupava os lazeres com a poesia.

Por cerca de 1892, trocou os caixotins pela mesa de escritor. Entrou, nesse ano, no Jornal do Comércio, dirigido por Aquiles Porto Alegre e Caldas Júnior, onde prestou relevantes serviços.

Em Io de outubro de 1895, ao fundar-se o Correio do Povo, passou a fazer parte da sua redação, nele permanecendo até o último de seus dias terrenos.

Ponderado, de lisura comprovada, tranqüilo e eficiente, Paulina de Azurenha impôs-se, desde logo, como um conselheiro solícito e acatado, a quem todos recorriam nos momentos de dificuldade.

Com efeito, o seu espírito religioso e a sua bondade inata jamais falharam, sempre fornecendo a solução pronta para os pro-blemas dos que buscavam o seu conselho e a sua ajuda.

É que, ao lado do artista de côr, comovido e comovente, con-viviam o católico de fé robusta e o monarquista declarado, sempre esquivo aos acenos da glória e imerso no seu dia-a-dia solitário.

Sob o pseudônimo, logo popular, de "Léo Pardo''  manteve, no Correio do Povo, apreciado folhetim com o titulo de "Semanário", em rodapé, aos domingos.

Deixou dezenas de poemas esparsos pelos jornais da época, de fatura parnasiana com laivos de lirismo romântico.

Como escritor de crônicas, porém, é que ele merece a nossa peculiar atenção, sendo considerado por João Pinto da Silva "o nosso melhor cronista literário" da fase que se inicia em 1900, juízo esse ratificado por Zeferino Brazil.

 Efetivamente, Paulino Azurenha, embora autodidata, dominava as nuanças do vernáculo e escrevia com desenvoltura, revelando uma pena ágil, fina e irônica.

Comprovação disso é o "Semanário de Léo Pardo" publicado, postumamente, em 1926, pela Livraria do Globo, enfeixando as suas principais crônicas e abrangendo o arco de tempo que vai de 8 de julho de 1905 a 19 de junho de 1909.

Em vida, de parceria com José Carlos de Souza Lobo e Mário Totta, divulgou, em 1897, através da Livraria Americana, "Es-tricnina", que traz por subtítulo "página romântica".

 Trata-se de uma pequena novela, mesclada de crônica e de noticiário policial à antiga, destacando-se, na observação de GuiIhermino César, os "trechos que fotografam o meio porto-alegrense, os hábitos da vida noturna, os mexericos de rua, os bairros à margem do Guaíba".

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Academia Rio-grandense de Letras

PATRONOS

CADEIRA 16

Arthur Pinto da Rocha

(por Betty Borges Fortes)

Considerando a decisão de que a Memória dos Patronos das Cadeiras da Academia Rio-Grandense de Letras seria apresentada em textos não excedentes a três páginas, assim se pode constituir um sumário roteiro Biobibliográfico do Patrono da Cadeira n° 16, o Dr. Arthur Pinto da Rocha.

Desse eminente homem da Memória Cultural, Cívica e Política do Rio Grande do Sul temos que o seu nascimento ocorreu aos 26 dias de dezembro de 1864, conforme certidão de batismo, emitida na cidade marítima de Rio Grande, Rio Grande do Sul,...

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